CARTA PASTORAL
A UNIDADE NA CARIDADE: CAMINHO E MISSÃO DA ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO
Aos amados irmãos no Episcopado e no Presbiterado, aos Diáconos, Religiosos e Religiosas, e a todo o Povo Santo de Deus da Arquidiocese de São Paulo, graça e paz em Nosso Senhor Jesus Cristo!
Amados filhos e filhas em Cristo,
A Igreja em São Paulo carrega um peso e uma graça: ser sinal de esperança em meio às provações, testemunho vivo da fé em uma cidade que nunca dorme. Aqui, o Evangelho precisa ressoar não como festa passageira, mas como palavra firme que ilumina e transforma a vida.
Contudo, a vida da Igreja, como a vida de cada um de nós, é feita de luzes e sombras, de alegrias e desafios. O Apóstolo Paulo, em sua Primeira Carta aos Coríntios já exortava: “Rogo-vos, irmãos, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que sejais unânimes no falar e que não haja divisões entre vós; antes, sejais perfeitamente unidos no mesmo sentimento e no mesmo parecer” (1 Cor 1,10). Esta exortação ressoa com particular força em nossos dias, convidando-nos a uma reflexão profunda sobre a comunhão que nos une.
A Igreja é, por sua própria natureza, mistério de comunhão. O Concílio Vaticano II nos recorda que somos o Povo de Deus peregrino, chamado à unidade na diversidade de dons e carismas.[1] A sinodalidade é o caminho que Deus espera da Igreja do terceiro milênio.[2] É caminhar juntos, ouvindo uns aos outros e discernindo a vontade de Deus para nossa Arquidiocese. É um convite constante à conversão pastoral, à superação de individualismos e à construção de pontes, não de muros.
Reconhecemos que, na complexidade da vida eclesial, podem surgir tensões e desafios à plena comunhão. A fragilidade humana, as diferentes perspectivas e, por vezes, a tentação do egoísmo podem obscurecer o ideal de unidade. No entanto, a caridade, que é o vínculo da perfeição (Cl 3,14), exige de nós a humildade de reconhecer nossas limitações e a grandeza de perdoar e buscar a reconciliação. É fundamental que cada um de nós reflita sobre como suas ações e palavras contribuem para a edificação ou para a fragilização do Corpo de Cristo. A verdadeira caridade pastoral, como nos ensina o Magistério, não busca o próprio proveito, mas o serviço desinteressado ao rebanho e a obediência filial ao Bispo, que é o princípio visível e o fundamento da unidade na Igreja particular.[3]
Neste momento, reafirmo meu compromisso inabalável com a unidade de nossa Arquidiocese e com a missão que nos foi confiada. Exorto a todos, especialmente aos irmãos no ministério ordenado, a colocarem o bem da Igreja acima de qualquer interesse pessoal ou grupal. A obediência ao Bispo não é uma mera formalidade, mas um ato de fé e de amor à Igreja, como nos recorda a Tradição e o próprio Código de Direito Canônico (cf. cân. 273).
Ao mesmo tempo, é meu dever preparar, com serenidade e confiança, o caminho que a Igreja de São Paulo seguirá. Sei que os pastores são chamados a servir por um tempo, mas a missão permanece sempre. Sei que o Senhor, que me confiou este rebanho, continua a conduzi-lo com seu Espírito e, sob a proteção de Maria Santíssima, fará com que prossiga firme no anúncio do Evangelho.
SPIRITU ET AMBULEMUS!
Que o Espírito Santo nos ilumine para que possamos superar os desafios e construir uma Igreja cada vez mais unida, santa e missionária. Que a Virgem Maria, Mãe da Igreja e Rainha da Unidade, interceda por nós e nos ajude a viver plenamente a vocação à qual fomos chamados.
Com o coração agradecido e já olhando com esperança para o futuro, deixo a todos a minha bênção e o meu afeto paternal.
Dado e passado na Cúria Metropolitana de São Paulo, aos 26 dias do mês de agosto do Ano Santo Jubilar de dois mil e vinte e cinco.
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[1] CONCÍLIO VATICANO II. Constituição Dogmática Lumen Gentium sobre a Igreja. Capítulo II, n. 9-17.
[2] FRANCISCO. Discurso no 50º aniversário da instituição do Sínodo dos Bispos, 2015.
[3] CONCÍLIO VATICANO II. Constituição Dogmática Lumen Gentium sobre a Igreja. Capítulo III, n. 23. Cf. também JOÃO PAULO II. Exortação Apostólica Pós-Sinodal Pastores Gregis, n. 43.
